Ao olhar as braçadas daquele africano solitário, atravessando a piscina do parque aquático de Sydney, confesso que tive vontade de rir, como milhares de pessoas devem ter feito. Porém, conforme os metros ficavam para trás e o relógio disparava, passei a enxergar aquela cena de outro modo. Meus olhos sentiram o esforço de Eric Moussanabi e a tentativa de mover a água como o pior dos adversários.
Cada braçada representava um novo desafio. Não havia mais porque continuar nadando. Mesmo assim, Eric insistia em chegar. O aplauso da torcida era o mínimo que se poderia esperar como recompensa para tanto sacrifício. Mais tarde, ele explicaria que nunca pensara em nadar os 100 metros. Estava preparado apenas para a metade. Obviamente, mesmo a metade seria demais para alguém que aprendeu as primeiras braçadas há apenas oito meses.
Eric treina na piscina de um hotel, na cidade de Malabo, capital da Guiné Equatorial, seu país. Por isso, meus olhos começaram a encher. Não era justo rir de tamanho esforço. O espírito olímpico estava ali na sua demonstração mais sincera, incorporado em alguém que lutava apenas para chegar. Mas chegar aonde?
Pensei muito e acho que descobri. Chegar ao lugar que todos desejam, mas muitos têm medo de alcançar: o próprio sonho. Eric sonhou que seria possível ir às Olimpíadas.

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